domingo, 4 de março de 2012

Claire e a estrada




"E se a estrada for o seu lar,
Me deixa entrar?"

Sobre o ar desse trecho, uma outra música me veio à cabeça, uma do Caetano... ( ambas músicas mencionadas estão no final do post).

...é, a estrada bem guarda seu mistério. Na maioria das vezes, via mainstream e oficial sob cuidados estatais (ou privados), mas pra compensar esse status sério reserva um vislumbre sobre algo que é indefinido, um deslumbre de jogar luz nas ideias, uma promessa de ir além, e, porque não, pra não perder a viagem, de abundância?

A estrada é íntima das formas de vidas mais estranhas, com rotinas as quais parecem impenetráveis ao meu conhecimento, dos que vivem viajando ou viajam para viver, quaisquer que sejam, me referindo aqui apenas ao estrangeiro convicto mesmo; do caminhoneiro ao hippie; do artista famoso ao espírito que busca se libertar, que busca aventura...
Se sentem nômades desfamiliados por onde vão? Ou em todo novo canto estão reencontrando membros da família que nunca conheceram?! Talvez seja uma alternativa inclusiva, e não seja contraditório afirmar ambas as coisas.

Quais os limites, fico também me perguntando, para o que se chama de família, ainda mais para um artista que fala para os brasileiros, como é o caso do Caetano, que canta sobre encontrar a segunda família na música abaixo. Deve ser algo emocionante, pra começar a descrever!!

Por o pé na estrada me parece, nesse momento, um baita privilégio dos que podem, dos que vivem. E Claire não seria também a respeito disso?

Claire
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Nú com a minha música
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fitas de Cetim

Existe um grande feito no universo musical que nem sempre é notado, ou ao menos nem sempre é valorizado: o da feliz coincidência entre forma e conteúdo. Já comentei aqui o caso de "Love", do John, que acredito ser o mais feliz resultado desta combinação (a música de fato parece um cristal de tão perfeita, não há nada fora do lugar, tanto em termos de letra, como de melodia e, sobretudo, do "espírito geral" da canção). O grande mérito destas canção é o de escapar do funcionamento normal de qualquer música, que, a meu ver, é o da "sugestão": geralmente a letra sugere algo, a música também. Juntando as duas coisas, você chega a um significado ou a uma interpretação. Neste outro caso, não. Sem conhecer muito a canção, você se sente transportado à cena que ela evoca: seja ela qual for. Se for uma lembrança da sua infância, você consegue sentir o cheiro da sua vó cozinhando o bolo, o ranger das tábuas de madeira por onde você e seus primos correm, o som dos passarinhos quando você acordava bem cedo... Deu pra sacar, né?

Vou comentar três deste tipo de canções.

A primeira é uma linda música do White Album, talvez uma das menos conhecidas ou celebradas: Good Night. É uma música do John, doada ao Ringo e orquestrada por George Martin. Trata-se da última música deste maravilhoso álbum duplo, é uma despedida, mas não de qualquer tipo: lembra precisamente o tipo de carinho que a sua mãe fazia antes de você dormir, depois de um dia cansativo, de muitas brincadeiras. E, como eu disse, a música leva o ouvinte precisamente para esta atmosfera: depois de uma aventura que é o White Album, os Beatles carinhosamente te convidam a fechar os olhos, do jeito mais terno possível.

A segunda também não escapa às minhas rememorações infantis. É uma música da trilha sonora do filme "Onde vivem os monstros", que se chama "Worried Shoes". Sabe aquela sensação de você ter um sapato favorito, aquele que você acredita que te faz correr mais rápido? Trata-se disto, mas talvez com os sentimentos em pólos invertidos. A música versa sobre um worried shoe, aquele que você coloca para nunca se esquecer de um erro que você cometeu e que talvez nunca esquecerá, um deslize que, por mais que você caminhe, não se desfazerá como os nós de um cadarço. Enfim: é como se esta canção tivesse encapsulado o sentimento de tropeçar na frente da sua classe toda, ou na frente daquela menina de quem você mais gostou:


Por último, falo da mais nova canção da Oito Mãos: Fitas de Cetim. É uma música do André que, segundo ele próprio, carrega a sua melhor letra. Curiosamente, também trata de laços, como a música acima, mas de uma forma diferente. Como a música ainda não foi gravada, vocês terão que confiar na minha descrição. Há, para mim, dois momentos na música:o primeiro, que é uma espécie de conversa entre o neto e a avó, cujas linhas não deixam dúvidas em relação à imagem a que remete. Trata-se do neto, talvez sentado no chão, olhando a vó, numa cadeira de balanço, tricotando algo de muitas cores vivas. O segundo momento da canção parece nos remeter exatamente ao título da música: fitas de cetim. Talvez uma fita de um presente que você ganhou há muito tempo e cujo embrulho você resolveu guardar, só para lembrar. Talvez a pessoa que tenha te dado nem exista mais, ou tenha há muito tempo deixado a sua vida. O que é fato é que aquela fita te faz sentir de um modo estranho: ela gera um reconhecimento, ao mesmo tempo que um estranhamento. Como se fosse um espelho retorcido, você consegue ver uma imagem ali que, talvez, seja você mesmo. Neste momento você percebe que estes momentos - que marcam as nossas vidas, como um quisto na memória - são como fitas de cetim: sua própria delicadeza é, quem sabe, uma fraqueza, afinal os nós dados naquele tecido tão suave podem se desfazer num simples gesto. Ou, como diz a música: "Enquanto nó, somos a contradição". Nada mais simples, nada mais genial. Somos nós, os nós que acreditamos segurar quase tudo em nossas vidas, mas que, com o puxar de uma fita, podem se desmanchar...

Tudo isto para tirar um pouco do pó deste blog e deixar vocês com vontade de ouvir as novas músicas que logo logo devem sair do forno.

Um abraço

Felipe Bier

terça-feira, 4 de maio de 2010

QUANDO EU FOR PRO MAR

Tem coisas que me lembro como se fosse ontem. O dia em que André mostrou "Quando eu for pro mar" é um bom exemplo. Havíamos acabado de ensaiar, cansados, suados, com os ouvidos zunindo, e o André começou os acordes que iniciam essa fabulosa canção. Larguei meu cigarro (ainda fumava na época) e fui direto pra nossa salinha me juntar a ele.

- Essa é tua?
- É.
- Porra... Toca aê.

E ele foi, viajando, nas frases que me intrigaram e me intrigam ainda, junto da melodia que parece vir diretamente dos céus. Aí ela acabava em "vou parar de brigar com você". Sugeri em fazermos dessa faixa a mais longa do disco. O tal épico, que depois alguém descreveu em seu blog.

Essa foi a última que entrou pro disco, e a última a ser ensaiada. Foi parar em último lugar no disco porque era ali que era pra estar. Chave de ouro, como dizem por aí. Eu vejo assim: Quando você pensa que ouviu tudo nesse disco, vem "Quando eu for pro mar", e te pega pelo avesso.

Enquanto eles ensaiavam o começo da música, peguei o Eagle nylon do André e esbocei a parte que entra a batera. Apareci.

- Aí vocês podem fazer isso, o que acham?

Fizeram. Gostaram. Depois saí novamente e fui pro escritório da casa do André, que é onde fica o PC dele. Peguei o Eagle e esbocei mais uma passagem, aquela da guitarra no fone esquerdo, uma sequencia desigual para uma música que vinha numa lógica maior. Voltei e mostrei.

- O que acham?

Publio pegou rapidamente a coisa. Aí foi o André quem saiu da salinha de ensaio. Pegou um caderno e em 20 minutos rabiscou umas frases, que resultaram em "Te escondi naquilo que eu mais quero..." Depois disso, me vi possuído por uma coisa que chamam de criatividade. Eu não sei de onde tiro minhas idéias, mas elas costumam explodir em todo o meu ser - um mero clichê, eu sei, mas é assim que me sinto quando estou inspirado. Fiz, então, a sequencia martelo do acorde Dm - Dm5. Depois eu berrei.

- Então, depois de fazer quatro vezes isso, a gente volta em "Quando eu for pro mar, vou parar de brigar com você...".

Paramos e voltamos na sequencia do Dm... Quando fomos para o fim citado acima, vi um sorriso na cara do André. Liguei pra minha namorada imediatamente.

- Acabamos de fazer a malhor música do álbum.

Gravar essa faixa foi gostoso. Fluiu. Adhemar fez a sua sequencia de tambores no fim. Foi tudo muito foda. Viajamos em uma guitarra reverse, que ao vivo o Publio usa o E-Bow para simular. Tudo muito lindo.

É isso. Uma coisa que nunca sai da cabeça, como se tivesse acontecido ontem.

Pompeo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

John Lennon - parte 3

O André me propôs que expusesse aqui alguns dos meus pensamentos sobre o John, coisa que já fiz de forma meio dispersa nos posts do próprio André e do Pompeo. Bom, vamos lá!

Eu começo com aquilo que aquilo que ficou meio no ar nos últimos comentários: por que digo que sua música é visceral. Isso é ruim (o Pompeo muito bem perguntou). Realmente, visceral pode e deve ter um significado ambíguo. Quando escrevi pela primeira vez, ele tinha o senso de algo que vem das entranhas, no caso a música. Mas isso deve necessariamente significar algo que é ao mesmo tempo essencial - e por isso preciso e simples - e também agressivo, pulsional. E não é de outro jeito que vejo a música do John: o seu começo de carreira solo é claríssimo nesse sentido.

Isso é algo que é dito muito sobre o John: que ele era o mais ácido dos quatro. Mas acho que poucas pessoas atentaram para que tipo de estética sua acidez aponta, e ela é necessariamente a estética da maior doçura entre os quatro. Então, sim, John Lennon era, concomitantemente, o mais desequilibrado, mas o que mais sabia equilibrar estes antagonismos.


A minha tese é de que somente quem fez algo maluco como o Two Virgins, que chega a ser inaudível em algumas partes, pode fazer algo genial como as canções encontradas no Plastic Ono Band, Imagine, Mind Games etc. Por um tempo, o John ficou fascinado pela terapia do grito primal, provavelmente por representar uma forma de retornar a alguma espécie de simplicidade primordial, escondida debaixo de tanta coisa relacionada à sua imagem como um Beatle e como uma figura pública que deveria dar respostas. A marca do grito primal é claríssima nos primeiros álbuns, até na própria temática escolhida para as composições. O Plastic Ono é aberto por Mother, canção bastante simples em sua estrutura e em sua letra. Não há segredos, não há nada escondido, nenhum significado oculto. Está tudo ali, dado ao ouvinte de bandeja. Como a música ganha tanta potência expressiva, então?



Na segunda música, Hold On, John diz:

Hold on John, John hold on,
It's gonna be alright,
You gonna win the fight.
Hold on Yoko, Yoko hold on,
It's gonna be alright,
You gonna make the flight.
When you're by yourself,
And there's no-one else,
You just have yourself,
And you tell yourself,
Just to hold on.

Há forma mais direta de se passar a mensagem? John está falando com ele mesmo e, ao mesmo tempo, parece se dirigir a uma criança assustada, que não consegue dormir e que pede à mãe que fique ao seu lado na cama até que ela pegue no sono. John faz apelo a essa imagem novamente na música que fecha o álbum: My Mummy's Dead. Simples, básica, nenhum segredo. John, como na capa do Two Virgins, tira completamente toda e qualquer tipo de veste que possa ficar entre a música e sua essência: suas vísceras. Ele volta
às temáticas mais simples, as reminiscências mais banais para as quais um adolescente escrevendo versos no colégio poderia apelar: a saudade da mãe morta, o isolamento, o desamparo, a desilusão etc. Por que, então, que sua música, sobretudo neste período, não ficou boba, de assimilação fácil e banal?

Precisamente porque ela é verdadeiramente visceral: uma coisa é você utilizar suas dores e suas lembranças de infância como temática para uma música, todos temos o direito de fazê-lo, ainda que na maioria das vezes o resultado seja... banal. Mas, como uma cebola sendo descascada, John trabalho sobre o simples, ele buscou o simples após ter conhecido o complexo alguns anos antes com os Beatles. Ele passou pelo Two Virgins - ou seja, teve a coragem para isso, coisa que acredito que ninguém faria em seu tempo e muito menos hoje - e depois dessa travessia pôde voltar para as reminiscências com a autoridade do autor que sabe quais os temas está escolhendo, como tratá-los e como dar-lhes, paradoxalmente, uma simplicidade tamanha que tais temas se expandam esteticamente.

Aqui eu arriscaria dizer que, desta oposição brutal entre o duplo significado de visceral (acidez e essencial), existe uma síntese que é o amor. A concepção do John sobre o amor é essencial para que esta mistura dê certo, para que os elementos dêem liga, para que eles não descambem para a loucura ou para a mesmice e a monotonia. Sua obra, principalmente neste começo de carreira solo, tem a imagem espectral da Yoko rondando-a ao tempo todo. Não considero isso uma coisa ruim, como já foi dito no post anterior: ao contrário, acho que a música deve muito à Yoko, pois com ela John Lennon conseguiu erigir uma concepção belíssima do amor, para mim até hoje somente comparável à concepção de Guimarães Rosa em 'Grande Sertão: veredas'.

E é com a letra de Love que eu fecho esse post:

Love is real, real is love
Love is feeling, feeling love
Love is wanting to be loved

Love is touch, touch is love
Love is reaching, reaching love
Love is asking to be loved

Love is you
You and me
Love is knowing
we can be

Love is free, free is love
Love is living, living love
Love is needing to be loved

Nada mais simples, não? Nada mais profundo ao mesmo tempo. Através de um 'simples' jogo de inversões, John consegue criar um amor que é mais real do que qualquer outra coisa, um amor que consegue fazer o real se tornar ainda mais real. Um amor de tamanha potência que chega a ser agressivo: love is needing to be loved. Um amor livre porque é total comprometimento (paradoxal? para mim não). Enfim: amor visceral.

E tem gente que ainda diz que não gosta do John porque acha ele 'meio depressivo'... Ah, para esses eu não tenho nem resposta. Deixemos que sua música fale por si, durante os séculos que virão.

Ass: Bier

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dando continuidade ao papo do André.

Costumamos frisar que John Lennon É foda, e não era. Ele ainda vive em sua arte e em seus discos gravados. Costumamos conversar muito sobre esse personagem incrível - o John Lennon dos discos, das músicas fora do comum, das frases ácidas ditas do modo mais normal possível. Pessoas assim são sempre interpretadas com equívoco. Meu episódio favorito foi quando ele disse que eram "mais famosos que Jesus Cristo". Pô, vamos lá... E não eram? Naqueles tempos não existia ninguém com mais fama - no sentido podre da palavra - do que os fab. Quem assistiu o "Anthology", lá no momento em que o documentário discute esse episódio, dá pra ver na cara de John a naturalidade da situação no momento em que ele se "desculpa" ao repórter - com aspas porque quem se desculpou mesmo foi Brian Epstain, numa coletiva qualquer. John, no máximo, se explicou.

John Lennon sempre foi o cara que deixava o ser falar por ele. Dá pra ver isso muito bem no decorrer da carreira dele tanto em discos solos quanto nos Fab. Ao ler as inúmeras biografias referidas a eles, vê-se que John era o cara que menos tinha intimidade com estúdios. Ele era o cara que se impressionava com quase tudo, adorava instrumentos que não compreendia. Ouça os solos dele - exemplo "Hey Buldog" e "You Cant Do That" - e perceberá como ele era desprovido de técnicas e conhecimentos teóricos. O próprio Paul disse que quando viu os "Quariman" viu que John não sabia nada de nada de guitarra e nem da letra da canção, e mesmo assim era fabuloso.

Outro episódio que me marcou foi quando o Maharashi Gurú Louco chamou um deles pra dar uma volta num helicóptero e John fez de tudo pra ser ele o escolhido, dizendo , mais tarde, que queria tanto ir para fazer umas perguntas ao guru. Nas palavras de Paul: "Isso era bem John".

Indo se apresentar em Nova Odessa, no carro Bier sugeriu ouvir Mind Games, do John. Estávamos falando sobre tudo que se diz respeito à timbres e tudo mais, e chegamos no assunto Yoko Ono. Porque ele amava tanto essa mulher? André disse que achava que ela fazia o John ser mais ele. Eu disse que achava que o mundo inteiro tratava o cara como o fabuloso John Lennon, e a Yoko o tratava como um cara comum, o Winston, um homem inseguro (pasmem!) e cheio de medos. Ela tratava ele como um marido, como uma mulher deve tratar um homem. Ela tratava ele como um simples ser humano. Lembro que eu fiquei olhando para a paisagem da estrada viajando nessa...

A simplicidade deve vir de dentro - acho eu. Uma pessoa simples faz coisas simples, e essas coisas simples se tornam coisas gigantescas. John era um cara simples? Aparentemente sim. Mas, ao mesmo tempo, seu gênio devia ser algo extremamente complexo. Uma pessoa simples não faz uma "Summer 9".

Enfim. Uma conversa apenas, sem fundamento - numa vida que não tem o menor fundamento.

Tem gente que vem ao mundo para tirar um sarro da vida e da gente. John foi um deles.

Pompeo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Resposta ao tópico de páscoa do Adhemar, procurem pela data já que não tem título: sábado, 3 de abril de 2010.


Vou compartilhar umas ideias aqui, sobre a natureza da arte. Eu vislumbro a beleza estética que se pode fazer com um instrumento, com uma linguagem aprendida, como a coisa mais democrática do mundo. Ela surge em qualquer lugar e a qualquer momento, e é bom não esquecer, pra qualquer um.

Do outro lado temos a escalada da fama, que é uma coisa muito ridícula, em que aparência é 70%, produção é 20 ou 15% e o resto sobra pra música. Peguemos os famosos internacionais tipo jonas brothers e lady gaga e verifiquemos. Quando existe a união de todas essas coisas no seu alto grau de qualidade, temos um michael, um beatles, e tantas bandas famosas por aí, que encantam tantas pessoas. Quando falo de aparência falo de beleza, mas principalmente de manipulação pra impressionar os jovens ingênuos impressionaveis, incluindo todo tipo de manipulação possível, incluindo atitude de mal ou de bom, cabelo, etc...

Uma coisa não tem absolutamente a ver com a outra entende? Nesse ponto faço uma crítica a sociedade de hoje, e a forma como consomem música popular. Existe criatividade ainda, mas reduzida demais...a subjetividade nem parece existir, tanto que procuram efeitos de massa.


Ok. Quero agora falar sobre a simplicidade, que acho muito atraente. Ouçam Plastic ono band (1971) de John Lennon, presente ainda no album posterior Imagine e percorrendo toda a carreira solo do artista, recém saido dos besouros, exausto de superproduções como sgt. peppers e abbey road...esse é o exemplo que me vem a cabeça e ao coração, principalmente.

Quando simplicidade é verdade, direta e honesta. O tipo de simplicidade que aparece na forma que o Los hermanos abordou sua carreira e fama ( mas não sua música), o que pra mim carrega quase todo o charme deles.

Quem é honesto levanta a mão na música sertaneja...no pagode...no rock!
-André, honesto a que?
- Honesto a si.
- Mas nesse honesto a si cabe tudo...pq e se a pessoa quer...
- é, depende de cada um.

Gostaria então de amarrar a coisa, dizendo que não vale a pena "se profissionalizar" pra perder a sensação de brotamento do chão da arte, aderir uma espécie de ilusão de que ela esta lá, e não aqui. Ela esta aqui. Isso me encanta!

"I just believe in me
Yoko and me
And that's reality.
The dream is over,
What can I say?
The dream is over"

"God", ( do album Plastic Ono band)
John Lennon

André.

A banda em palco no último domingo, no primeiro show do disco!!!

Rolaram todas canções do disco, com excessão de "Verniz" e "Marina". Fora isso ainda rolou "Grave Lacuna", e um cover do johh...lennon! Juuust like starting over.